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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

PROJETOS BUDISMO ENGAJADO

Visão de Dipamkara: integrando o Dharma à vida cotidiana na Chapada Diamantina

Visão de Dipamkara é um projeto da sangha de Ani-La (Ven.
Bhikkuni Zamba Chözom) que está sendo desenvolvido na Chapada Diamantina (Bahia) com o objetivo de integrar a prática do Budismo à vida cotidiana, incentivando o pleno desenvolvimento humano e a preservação do meio ambiente.

A área onde está sendo executado o projeto pertence ao município de Mucugê, a cerca de 440 quilômetros de Salvador. Apesar de estar composta fundamentalmente por rochas, a propriedade está em perfeita consonância com a perspectiva do projeto, que pretende desenvolver não apenas uma abordagem espiritual, mas todos os aspectos inerentes ao desenvolvimento humano.

Com base nesta perspectiva, o projeto contempla três módulos principais: o primeiro, voltado aos aspectos espiritual e psicológico; o segundo, focado em atividades sociais interativas, voltadas para a comunidade local, incluindo educação, pesquisa, cura, saúde e programas de aprendizado e capacitação; e, por fim, o módulo de infraestrutura, que contempla a estrutura física da sede do projeto e todos os serviços necessários ao seu bomfuncionamento, como o fornecimento de águae energia.


Módulos do Projeto


1. O módulo espiritual/psicológico inclui a construção de um templo para ensinamentos e práticas espirituais, casas para mestres residentes, praticantes e hóspedes, além de instalações para retiros de curta e longa duração e prática de meditação e ioga.


2. O módulo social/interativo engloba:

2.1. Educação

2.1.1 Implantação de escolas de ensino fundamental com base nos princípios propostos pelas pedagogias Waldorf (Rudolf Steiner) e budista;

2.1.2 Programas de alfabetização de adultos (métodos Paulo Freire).

2.2. Saúde

2.2.1 Medicina alternativa (medicamentos fitoterápicos desenvolvidos a partir da flora local), ioga, taichi, shiatsu, entre outros, com ênfase na pesquisa de alternativas de tratamento e prevenção de enfermidades;

2.2.2 Programas educacionais de medicina preventiva (higiene e nutrição);

2.2.3 Acomodações para doentes terminais e treinamento para que profissionais de saúde possam cuidar dos pacientes no momento da morte;

2.2.4 Meditação para pacientes portadores de doenças e dores crônicas.

2.3. Meio Ambiente

2.3.1 Pesquisa ambiental;

2.3.2 Oficinas de educação ambiental;

2.3.3 Permacultura e sua filosofia;

2.3.4 Publicações sobre flora local, ervas medicinais e permacultura.

2.4. Cultura

2.4.1 Intercâmbio cultural através de manifestações artísticas (artes plásticas, dança, música, cinema);

2.4.2 Pesquisa sobre as raizes étnicas e culturais da população da Chapada Diamantina.

2. 5. Capacitação profissional

2.5.1 Oficinas de arte e artesanato, incluindo cerâmica, arranjos florais, pintura, escultura e atividades afins;

2.5.2 Curso de tecelagem;

2.5.3 Cursos de corte e costura;

2.5.4 Cursos de nutrição e culinária;

2.5.5 Cursos formação de padeiros;

2.5.6 Cursos voltados para a construção civil, com ênfase em métodos de construção voltados paraa preservação ambiental;

2.5.7 Oficina de Carpintaria;

2.5.8 Cursos de capacitação emecoturismo;

2.5.9 Cursos de permacultura fontes de energia alternativa, arquitetura alternativa, agricultura, dentre outros;

2.5.10 Oficinas de capacitação emcorte e preparo de rochas para utilização na construção civil;

2.5.11 Cursos de irrigação;

2.5.12 Cursos de prevenção de incêndios, tendo emvista a grande incidência de incêndios na região, notadamente na temporada seca, quando milhares de acres de terra são anualmente devastados

2.6. Geração de renda

2.6.1 Agrosilvicultura alternativa a partir do cultivo de espécies locais e frutas, utilizandose dos princípios da permacultura e do cultivo orgânico;

2.6.2 Hidroponia;

2.6.3 Produção de óleos naturais, medicamentos fitoterápicos, chás, essências de citronela, aloe vera, umbu, dentre outros;

2.6.4 Tecelagem artesanal;

2.6.5 Panificação;

2.6.6 Produção delaticínios;

2.6.7 Produção dejóias e semi jóias;

2.6.8 Atividades esportivas, como trekking e montanhismo;

2.6.9 Farmácia homeopática.


3. O módulo Infraestrutura e instalações inclui:

3.1. Sistemas

3.1.1 Abastecimento de água;

3.1.2 Rede de energia elétrica;

3.1.3 Infraestrutura de comunicações: telefone, fax, rádio, internet e televisão;

3.1.4 Construções de vias de acesso e escadarias.

3.2. Unidades

3.2.1 Templo e sala de meditação;

3.2.2 Escola, biblioteca, oficinas (carpintaria, tecelagem, artesanato);

3.2.3 Vila para abrigar a comunidade residente hóspedes;

3.2.4 Restaurantes e cozinhas;

3.2.5 Escola, salasde aulaspara cursosde capacitação e oficina,alémde biblioteca;

3.2.6 Instalações para pesquisa;

3.2.7 Instalações para atendimento terapêutico;

3.2.8 Instalações para área administrativa.


Idealizadora do projeto

A monja Zamba Chözom nasceu em Londres em 1948 e pratica o budismo há mais de 30 anos. Estudou na Índia, Nepal, Coréia e China, e ensina atualmente no Brasil e em Hong Kong. Seus ensinamentos focam-se na percepção mental como sendo a causa tanto do sofrimento quanto da felicidade; também como sendo um meio para a realização espiritual e a libertação definitiva.


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terça-feira, 22 de maio de 2007

O que é o Budismo Engajado?


Por Antonino Condorelli

Por Budismo Socialmente Engajado ou, simplesmente, Budismo Engajado entende-se o envolvimento ativo por parte dos praticantes budistas na sociedade e seus problemas, visando aliviar a dor dos outros, transformar as raízes que produzem injustiça e exploração e promover a paz, a igualdade, a solidariedade, os direitos humanos e a harmonia entre todos os seres.

A expressão Budismo Engajado, criada na década de 1960 por uma encarnação viva do Dharma, o mestre Zen vietnamita Thich Nhât Hanh, para referir-se ao trabalho dos movimentos budistas em prol da paz e os direitos humanos em meio à destruição e as atrocidades da guerra, hoje abrange um amplo leque de organizações, grupos e indivíduos que em muitos países do mundo dedicam-se a praticar os ensinamentos do Buda no coração da dor, com ações e projetos que visam aliviar o sofrimento das pessoas oprimidas por situações de miséria, exploração, privação da liberdade, violência física, psicológica ou sexual e outras formas de negação da dignidade humana, promovendo um novo modelo sociedade que se baseie na percepção da íntima interconexão de tudo o que existe.

A expressão é, na verdade, uma redundância. O Dharma, o caminho do amor e da compreensão traçado pelo Buda Siddharta Gautama há mais de 2.500 anos, é por sua natureza engajado, pois não pode existir longe e independentemente da vida das pessoas, não faz sentido fora do dia a dia e não se nega a enfrentar a dor, mas a encara de frente para transformá-la. Os ensinamentos budistas não são um sistema de crenças vindas de fora às quais aderir: são instrumentos práticos para libertar-se da dor, para cultivar a compaixão, o amor e a equanimidade e para chegar a uma compreensão profunda da realidade. Nascem da vivência e só adquirem valor dentro da experiência. Não são um conjunto de idéias em que acreditar: são uma forma de viver... Uma forma diferente da que estamos acostumados: viver o Dharma é estar em contato com o sofrimento que permeia a existência conscientes da beleza sempre presente em cada instante da vida, é viver sem descriminar, sem julgar, sem separar, reconhecendo a dignidade, a igualdade essencial e a estreita interdependência de todos os seres, o milagre representado por cada fenômeno do universo, porque absolutamente tudo possui a essência de Buda, a natureza da compreensão, o amor e a liberdade. Viver o Dharma não é outra coisa do que viver para aliviar o sofrimento e levar felicidade aos outros. Por isso, o Budismo não pode ser senão “engajado”.


Mas nos anos Sessenta, no Vietnã e outros países asiáticos foi necessário “devolver” ao Dharma esta sua natureza originária desafiando as estruturas e mentalidades patriarcais, engessadas e afastadas da sociedade que caracterizavam a maioria das instituições budistas. Neste processo de reforma e revitalização do Budismo, a partir do caráter intrinsecamente flexível e estritamente vinculado à vida real deste último, verificou-se uma natural confluência entre o Dharma do Buda e elementos contemporâneos que partilham de ideais e princípios análogos como o feminismo, o princípio gandhiano da não-violência ativa e a ecologia profunda.


Desde o coração da Ásia, nas últimas décadas o Budismo Engajado propagou-se pelo chamado “Primeiro Mundo” e hoje conta com uma ampla e articulada rede de entidades e movimentos empenhados em cultivar a paz e a compaixão e em propagar os direitos humanos, o respeito ao meio ambiente e a solidariedade pelo mundo afora. Muitas destas organizações integram o International Network of Engaged Buddhists (Rede Internacional de Budistas Engajados), com sede na Tailândia.


Entre os principais movimentos budistas engajados, destacam-se a Ordem do Interser (Tiep Hien), fundada em 1964 por Thich Nhât Hanh no Vietnã e presente hoje em muitos países, que tem seu núcleo central no Centro de Meditação de Plum Village
no Sul da França e está empenhada em atividades ao redor do mundo de resgate de refugiados, promoção do desenvolvimento sustentável, propagação da paz, a não-violência, os direitos humanos e o respeito ao meio ambiente; as atividades de Sua Santidade o XIV Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz em 1989, não apenas para a liberdade do povo tibetano, vítima da invasão chinesa, mas de propagação incansável dos princípios da não-violência e a compaixão como soluções para os graves conflitos da nossa época; as atividades da comunidade de Samdech Phra Maha Ghosananda, monje Theravada falecido em março de 2007, que foi apelidado “O Gandhi da Camboja” pelo seu trabalho em prol da paz, a justiça social e os direitos humanos no seu país natal; os trabalhos de Sulak Sivaraksa, intelectual e ativista tailandês de inspiração budista, fundador da Sathirakoses Nagapradeepa Foundation e várias outras organizações, que conta com uma trajetória de cerca de setenta anos de atividades em prol da justiça social, a paz, a democracia e o desenvolvimento sustentável. Muitos outros movimentos e organizações dedicam-se a praticar o Dharma como uma força de transformação social em países como Índia, Sri Lanka, Tailândia… e também Estados Unidos, Austrália e diversos países da Europa Ocidental.

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O que é a Rede Brasileira de Budistas Engajados?

Antes de mais nada, um estado de espírito. Uma energia coletiva de conscientização sobre a realidade do mundo e o país em que vivemos, uma onda de compaixão, bondade amorosa e equanimidade para enfrentar a injustiça social, a exclusão, a exploração e a violência em todas as suas formas e manifestações.

O objetivo da rede é levar a energia de compaixão e amor do Budismo Engajado para a imensa legião de excluídos, explorados e sofredores do Brasil, como primeiro passo para o enraizamento dela na América Latina e para
contribuir, de mãos dadas com todas as forças que integram o movimento brasileiro de direitos humanos, a transformar os corações e as mentes plantando e cultivando as sementes da paz, a igualdade, a solidariedade e a harmonia entre todos os seres, os únicos alicerces sobre os quais pode se sustentar uma sociedade realmente justa e democrática.

A intenção deste blog é fornecer um espaço de diálogo, articulação, debate, divulgação de atividades, troca de informações e de experiências entre organizações, grupos e praticantes individuais de qualquer escola do Dharma que, com a própria sangha ou dentro de organizações de outro caráter, realizam atividades de promoção da dignidade humana e de todos os seres em qualquer parte do Brasil.


Que as sementes desta linda árvore possam germinar e a Rede Brasileira de Budistas Engajados, que já é um sublime estado de espírito, em breve possa manifestar-se também na forma de ações sociais em benefício de todos os seres seja capaz de unir todos seus ramos ao redor de projetos comuns de transformação humana. Se isto acontecer ou não, depende de você...

Escreva para budistas.engajados@hotmail.com e solicite participar deste blog e da Rede. Ficaremos muito felizes com a sua presença!

Junte-se a esta grande correnteza de compreensão, compaixão e amor verdadeiro!


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