Carta do Chefe Seattle (1854)
Carta da Terra (2002)
Volte à página da Rede Brasileira de Budistas Engajados: http://budistasengajados.blogspot.com
Blog complementar de conteúdos que alimentam a página principal da Rede Brasileira de Budistas Engajados: http://budistasengajados.blogspot.com
Mesmo sendo de autoria controvertida, este texto famoso, aqui apresentado na versão do site DHNet - Rede Direitos Humanos e Cultura, nos oferece umas das mais límpidas e poderosas manifestações da consciência do interser, da interdependência de tudo o que existe:
“O que ocorrer com a terra,
recairá sobre os filhos da terra.
Há uma ligação em tudo.”
Este documento - dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente - vem sendo intensamente divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU). É uma carta supostamente escrita, em 1854, pelo Chefe Seattle ao Presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce, quando este propôs comprar grande parte das terras de sua tribo, oferecendo, em contrapartida, a concessão de uma outra “reserva”.
Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, com é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrada para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das arvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do potro, e o homem - todos pertencem a mesma família.
Portanto Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Essa terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se que ela é sagrada e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida de meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos e saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há lugar quieto na cidade do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o deabrochar das flores na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o canto solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo.
O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio verão limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se verdermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro aspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição, o homem branco deve tratar os animais dessa terra como irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planîcie, abandonados pelo homem branco que o alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecermos vivos.
O que é os homens sem os animais? Se todos os animais se fossem os homens morreriam de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar as suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisa estão ligadas como o sangue que une a família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fazer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco cujo Deus caminha e fala como ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídos por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia?
Módulos do Projeto
1. O módulo espiritual/psicológico inclui a construção de um templo para ensinamentos e práticas espirituais, casas para mestres residentes, praticantes e hóspedes, além de instalações para retiros de curta e longa duração e prática de meditação e ioga.
2. O módulo social/interativo engloba:
2.1. Educação
2.1.1 Implantação de escolas de ensino fundamental com base nos princípios propostos pelas pedagogias Waldorf (Rudolf Steiner) e budista;
2.1.2 Programas de alfabetização de adultos (métodos Paulo Freire).
2.2. Saúde
2.2.1 Medicina alternativa (medicamentos fitoterápicos desenvolvidos a partir da flora local), ioga, taichi,
2.2.2 Programas educacionais de medicina preventiva (higiene e nutrição);
2.2.3 Acomodações para doentes terminais e treinamento para que profissionais de saúde
2.2.4 Meditação para pacientes portadores de doenças e dores crônicas.
2.3. Meio Ambiente
2.3.1 Pesquisa ambiental;
2.3.2 Oficinas de educação ambiental;
2.3.3 Permacultura e sua filosofia;
2.3.4 Publicações sobre flora local, ervas medicinais e permacultura.
2.4. Cultura
2.4.1 Intercâmbio cultural através de manifestações artísticas (artes plásticas, dança,
2.4.2 Pesquisa sobre as raizes étnicas e culturais da população da Chapada Diamantina.
2. 5. Capacitação profissional
2.5.1 Oficinas de arte e artesanato, incluindo cerâmica, arranjos florais, pintura, escultura e atividades afins;
2.5.2 Curso de tecelagem;
2.5.3 Cursos de corte e costura;
2.5.4 Cursos de nutrição e culinária;
2.5.5 Cursos formação de padeiros;
2.5.7 Oficina de Carpintaria;
2.5.8 Cursos de capacitação emecoturismo;
2.5.9 Cursos de permacultura fontes
2.5.10 Oficinas de capacitação emcorte e preparo de rochas para utilização na construção civil;
2.5.11 Cursos de irrigação;
2.5.12 Cursos de prevenção de incêndios, tendo emvista a grande incidência de incêndios
2.6. Geração de renda
2.6.1 Agrosilvicultura alternativa a partir do cultivo de espécies locais e frutas,
2.6.2 Hidroponia;
2.6.3 Produção de óleos naturais, medicamentos fitoterápicos, chás, essências de citronela, aloe vera, umbu, dentre outros;
2.6.4 Tecelagem artesanal;
2.6.5 Panificação;
2.6.6 Produção delaticínios;
2.6.7 Produção dejóias e semi jóias;
2.6.8 Atividades esportivas, como trekking e montanhismo;
2.6.9 Farmácia homeopática.
3. O módulo Infraestrutura
3.1. Sistemas
3.1.1 Abastecimento de água;
3.1.2 Rede de energia elétrica;
3.1.3 Infraestrutura de comunicações:
3.1.4 Construções de vias de acesso e escadarias.
3.2. Unidades
3.2.1 Templo e sala de meditação;
3.2.2 Escola, biblioteca, oficinas (carpintaria, tecelagem, artesanato);
3.2.3 Vila para abrigar a comunidade residente hóspedes;
3.2.4 Restaurantes e cozinhas;
3.2.5 Escola, salasde aulaspara cursosde capacitação e oficina,alémde biblioteca;
3.2.6 Instalações para pesquisa;
3.2.7 Instalações para atendimento terapêutico;
Clique aqui e volte à página Projetos Budismo Engajado
Clique aqui e vá página Textos e Reflexões sobre a Realidade Contemporânea
Clique aqui e vá à página Reflexões sobre o Budismo Engajado
Volta à página da Rede Brasileira de Budistas Engajados: http://budistasengajados.blogspot.com
Vanessa de Castro Rosa
vanisros@hotmail.com
Sou paulistana, nascida em Nova Odessa e vivo atualmente em Sorocaba. Sou formada em Direito, Especialista em Direito Ambiental e Defensora Pública do Estado de São Paulo. Eterna estudante, sou apaixonada pelo Direito e pelo Meio Ambiente, aliás, sou uma pessoa movida por paixões, amo muito tudo o que faço e acredito.
Acredito em um mundo melhor, onde as pessoas buscarão ser mais felizes.
Acredito no poder transformador do Amor e num mundo menos violento e mais humano.
Acredito no potencial humano e no poder revolucionário do arrependimento.
Acredito no Direito como instrumento de transformação social.
Acredito que com Educação se constrói um mundo melhor e mais justo.
Acredito no poder revolucionário do ensino inclusivo, aberto e plural.
Acredito que ninguém tem o direito de impedir a felicidade alheia.
Acredito em Deus, embora não seja capaz de defini-lo, penso que a religião deveria unir as pessoas e não separá-las ou discriminá-las e que a política deveria ser instrumento de inclusão social e ambiental e não qualquer outra coisa.
Luto por um mundo sem discriminação e sem preconceitos.
Luto pelos direitos DOS animais, DO meio ambiente e de todas as minorias.
Não posso me definir, pois sou um projeto em constante construção e espero que nunca chegue a terminá-lo.